Tendências
04/10/2014
Mudanças nas famílias e cidades têm impacto na refrigeração

É preciso estar atento aos novos hábitos e às novas tendências, para aproveitar as oportunidades que se abrem. O uso da refrigeração tem tudo a ver com o...
Voltar para postsÉ preciso estar atento aos novos hábitos e às novas tendências para aproveitar as oportunidades que surgem. O uso da refrigeração está diretamente ligado ao modo de vida das pessoas. Quando as famílias e as cidades se transformam, pode-se ter certeza de que também ocorrem mudanças para quem atua nesse setor.
Nos últimos anos, a configuração da família mudou de forma significativa em todo o mundo. Essas transformações ocorreram tanto por questões culturais e comportamentais quanto por fatores econômicos, além de avanços relacionados à saúde e à qualidade de vida.
Antigamente, era muito comum que os jovens se casassem cedo e formassem famílias numerosas, com vários filhos. Hoje, o cenário é diferente: as pessoas tendem a se casar mais tarde e as famílias são menores. Muitos casais optam por ter apenas um filho ou nenhum.
De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), um estudo recente da economista Camila Strobl Sakamoto revelou que, entre 1981 e 2011, a porcentagem de pessoas morando sozinhas em áreas urbanas triplicou. Atualmente, esse número chega a 2% entre os homens e a 2,3% entre as mulheres.

Camila Sakamoto: “Porcentagem de pessoas morando sozinhas triplicou e número de casais sem filhos cresceu muito”.Além disso, o número de casais sem filhos cresceu muito, ficando próximo a 10% do total. Segundo a economista, essas mudanças relacionadas ao tamanho das famílias contribuem para o aumento da renda, o que gera novos hábitos de consumo. No Brasil, segundo ela, a renda total das famílias cresceu 38% nas cidades e quase 100% nas áreas rurais, entre 1981 e 2011. O universo das mudanças não para por aí, e os impactos que causam no setor de refrigeração são muito variados, como você verá a seguir.

A vida agitada das grandes cidades e a falta de tempo para o preparo das refeições fizeram crescer a demanda por alimentos prontos e semiprontos. Esse é um reflexo direto das transformações no modo de vida da população.
Nas últimas décadas, as melhorias nas condições de vida e na oferta de serviços de saúde também contribuíram para o aumento da expectativa de vida. Isso significa que hoje existem muito mais pessoas idosas, muitas delas independentes e vivendo em suas próprias casas. Estudos indicam que, em 2050, pela primeira vez na história, haverá mais pessoas idosas do que jovens no mundo.
Outras mudanças significativas incluem o aumento de casais do mesmo sexo, as novas formações familiares compostas por pessoas que já tiveram casamentos anteriores e aqueles que optam por manter um pequeno imóvel na cidade para dormir durante a semana, além de uma casa maior em regiões próximas.
Paralelamente a essas transformações sociais, as cidades também cresceram e evoluíram rapidamente, assim como o universo do trabalho, influenciando diretamente esse processo de mudança.
Vale destacar que, no início do século 20, cerca de 90% da população mundial ainda vivia no campo. Em pouco mais de cem anos, ocorreu uma intensa migração para os centros urbanos, que hoje já abrigam mais da metade dos 7 bilhões de habitantes do planeta.
De acordo com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), esse processo de urbanização continuará. A previsão é que, em 2050, aproximadamente 70% da população mundial viva em cidades.
Além disso, muitas cidades cresceram a um ritmo acelerado. No Brasil, por exemplo, as estatísticas populacionais mais recentes indicam a existência de 17 cidades com mais de um milhão de habitantes.
BUSCA DE COMODIDADE E CONFORTO, NOVAS MANEIRAS DE ENCARAR AS REFEIÇÕES, VONTADE DE FICAR MAIS EM CASA, MENOS GENTE EM CADA RESIDÊNCIA SÃO ALGUMAS DAS CARACTERÍSTICAS DO MODO DE VIDA ATUAL.
Associada a essas novas configurações familiares e às mudanças urbanas, existe também uma tendência à diminuição das áreas das residências, que são mais compactas e exigem um aproveitamento melhor dos espaços. Isso vem acontecendo em todo o mundo, em ritmo mais rápido ou mais lento, refletindo uma nova forma de viver. Vida Agitada Hoje, de maneira geral, a vida é mais corrida, por causa do grande número de atividades que cada pessoa tem, do trânsito difícil nas maiores cidades e das exigências da vida moderna. Em muitos casos, a distância entre os locais de moradia e de trabalho impossibilitam o deslocamento no momento da refeição, o que torna mais comum o hábito de comer fora de casa. A professora Rosa Wanda Diez Garcia, do curso de Nutrição e Metabolismo da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em Ribeirão Preto (SP), aponta algumas características que marcam a forma de comer atual:
- A escassez de tempo para o preparo e consumo de alimentos;
- O uso de novas técnicas de conservação e de preparo;
- A ampliação da oferta de itens alimentares;
- O deslocamento das refeições de casa para estabelecimentos que comercializam alimentos (restaurantes, lanchonetes, vendedores ambulantes, padarias, entre outros);
- A crescente oferta de preparações e utensílios transportáveis e mais práticos.
Outra importante tendência detectada em estudos de diferentes pesquisadores e consultorias é o encasulamento, ou seja, a vontade das pessoas de ficar cada vez mais em casa, fora dos horários de trabalho. Com isso, também desejam ter, em seu ambiente doméstico, produtos e serviços a que teriam acesso na rua. Muitos apartamentos vendidos hoje nas grandes cidades exploram muito bem essa nova demanda, oferecendo, por exemplo, cozinhas mais amplas ou as chamadas “varandas gourmet”. Todas essas tendências contribuem para uma busca crescente por praticidade, comodidade e conforto. É justamente aí que a refrigeração tem importante papel. Se as pessoas têm menos tempo para comprar alimentos e para prepará-los, onde estão as soluções? Se querem receber os amigos em casa ou em um sítio, com todas as comodidades e os prazeres ligados à comida e à bebida, o que podem fazer? Se querem seguir um programa de alimentação especial, com refeições balanceadas, que alternativas encontram? Muitas respostas a essas e a muitas outras demandas da vida moderna já estão no mercado:
- O crescimento da oferta de comida pronta e semipronta;
- A criação de embalagens práticas, seguras e de fácil manuseio;
- O aumento das opções de delivery (entrega em domicílio);
- A diversificação do varejo que oferece alimentos (por exemplo, áreas de alimentação em padarias ou veículos que vendem comida nas ruas).
A MAIOR PRESENÇA DE EQUIPAMENTOS DE REFRIGERAÇÃO NAS RESIDÊNCIAS ABRE OPORTUNIDADES PARA REFRIGERISTAS E TAMBÉM PARA REVENDEDORES.
Pode-se perceber facilmente que a refrigeração tem participação direta e fundamental em muitos desses aspectos. É por isso que, atualmente, é crescente o número de residências que contam com adegas refrigeradas, refrigeradores de bebidas, máquinas de fazer gelo, chopeiras de pequeno porte, assim como refrigeradores que incorporam novos recursos e funções.
Da mesma forma, é possível perceber a maior presença de equipamentos de refrigeração nos estabelecimentos comerciais de todos os tipos. Hoje, é comum ver pequenos bares, padarias ou restaurantes com vários freezers e refrigeradores de bebidas. Mas é possível encontrar equipamentos como esses em outros locais de comércio ou de serviços, que antes não tinham nenhuma ligação com a alimentação. É o caso, por exemplo, de farmácias, livrarias, clínicas médicas, lojas de artigos esportivos e diversas outras.
Cheryl Camargo: “Antes só havia a geladeira no imóvel, mas hoje isso mudou”
As transformações nos hábitos de consumo geram demanda para fabricantes de equipamentos e seus componentes, revendedores de peças de reposição e profissionais de manutenção. A maior presença de equipamentos de refrigeração nas residências abre novas oportunidades tanto para refrigeristas quanto para revendedores.
“Antigamente, havia somente uma geladeira por imóvel. Para quem estocava alimentos, existia também um freezer. Esse cenário mudou: hoje há menos freezers, mas muitas casas contam com mais de uma geladeira, além de adega, bebedouro, refrigerador para cerveja e, em alguns casos, até chopeira”, afirma Cheryl Tatiana Camargo, gerente de Vendas da Embraco.
Segundo ela, esse aumento no número de equipamentos amplia a necessidade de serviços técnicos. “Com isso, cresce a quantidade de aparelhos que demandam manutenção. Ao mesmo tempo em que representa uma oportunidade, também é um desafio, pois o refrigerista precisa conhecer diferentes tipos de sistemas e aplicações”, alerta.
Cheryl destaca que não são apenas os compressores que variam conforme o sistema de refrigeração. Componentes eletrônicos, tipos de fluido refrigerante e outras características técnicas também exigem conhecimento específico por parte do profissional.
Para as revendas, essas mudanças também trazem impactos importantes. Ao longo do tempo, os compressores de menor porte — como os de 1/8 HP, utilizados em refrigeradores de uma porta — passaram a ter menor demanda na reposição, já que muitos consumidores optavam pela troca do equipamento em vez do reparo.
“Hoje, porém, esse mesmo compressor de 1/8 HP está presente em equipamentos mais sofisticados e de maior valor agregado, como a cervejeira lançada recentemente pela Consul. Isso pode levar o consumidor a optar pelo reparo, aumentando a demanda por compressores desse tipo”, explica Cheryl.
Toda mudança gera novos desafios e oportunidades, e não é diferente com as transformações que vêm ocorrendo nas cidades, nas famílias e nos hábitos das pessoas. E você, está atento a esse cenário? Já pensou em como se preparar e se beneficiar dessas tendências, abrindo novos mercados e conquistando clientes?
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